Não é de hoje que a Costco explora o potencial da venda de medicamentos dentro da loja, mas ao longo dos últimos anos a empresa vem aprimorando sua estratégia para atrair ainda mais consumidores com benefícios exclusivos para associados e acesso a tratamentos de alta demanda, como os medicamentos GLP-1. No Brasil, o Assaí é a primeira empresa do setor a acompanhar esse movimento, explorando um setor que faturou R$ 246,1 bilhões em 2025.
Costco vê avanço da operação farmacêutica apoiado pelos medicamentos à base de GLP-1
A operação farmacêutica da Costco faz parte de uma estratégia de longo prazo, que combina preços competitivos, conveniência e serviços de saúde. Recentemente, as vendas na farma cresceram 20%, e parte desse desempenho veio dos medicamentos GLP-1.
No último ano, a companhia firmou um acordo com a farmacêutica Novo Nordisk para oferecer as canetas emagrecedoras a seus associados nos Estados Unidos por US$ 499.
Segundo Gary Millerchip, diretor financeiro da Costco, o uso de medicamentos GLP-1 provoca alguns efeitos sobre as vendas de alimentos. Ao mesmo tempo, a oferta desses tratamentos permite gerar novas receitas, compensando parte da pressão sobre outras categorias. Para fortalecer a categoria, a companhia também investe em benefícios exclusivos para seus associados, oferecendo condições diferenciadas de acesso a tratamentos e recursos digitais que facilitam a compra e a retirada dos remédios.
Assaí usa experiência americana como referência
No Brasil, o Assaí começa a explorar uma oportunidade semelhante. Em julho, a companhia inaugurou a primeira farmácia dentro de uma loja de varejo alimentar no país, e mantém um ritmo acelerado de expansão. A Assaí Farma já conta com 9 unidades, e a meta é chegar a 25 operações até o fim deste ano. No longo prazo, o potencial estimado pela empresa supera 250 lojas.
Cada farmácia reúne aproximadamente 10.000 SKUs, entre medicamentos com e sem prescrição, vitaminas, suplementos, dermocosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumaria. Atenta às tendências de consumo, a companhia também incorporou as canetas emagrecedoras ao portfólio de algumas unidades.
A entrada no segmento faz parte da estratégia de diversificação do Assaí, que busca ampliar as ocasiões de compra e recuperar parte da demanda de categorias tradicionalmente atendidas pelas farmácias. Durante o Investor Day da companhia, em novembro de 2025, o CEO Belmiro Gomes apontou a Costco como referência para o desenvolvimento do negócio.
Segundo ele, a experiência americana ajuda a dimensionar o potencial da categoria, embora seja necessário considerar as diferenças entre os dois mercados. “Se você quer saber um pouco de como vamos seguir, é só olhar para o que a Costco fez nos EUA, guardado as devidas proporções”, afirmou.
Na ocasião, o empresário explicou que o objetivo não é transformar o atacarejo em uma rede de drogarias, mas incorporar uma categoria capaz de atrair consumidores e contribuir para a competitividade de preços. “O objetivo de colocar a farmácia está muito mais ligado a ter uma categoria de atração. E com a redução de despesas consigo reverter o custo em preço para o consumidor.”
A estratégia segue uma lógica já aplicada pelo Assaí em outras categorias. Belmiro recordou que a instalação de açougues nas lojas também enfrentou resistência inicial, diante da percepção de que os consumidores prefeririam comprar carne em estabelecimentos especializados. “Quando falamos em colocar açougue, parecia uma aberração. Hoje o Assaí é o maior vendedor de carne da América do Sul.”
Mercado brasileiro combina escala e demanda por conveniência
A aposta do Assaí ocorre em um setor de grande dimensão. O varejo farmacêutico brasileiro faturou R$ 246,1 bilhões em 2025, com crescimento de 11,3%, segundo dados da IQVIA. Já dados de uma pesquisa online realizada pela Simon-Kucher, identificou abertura dos consumidores à compra de produtos farmacêuticos em supermercados.
- 38% consideram que a principal vantagem seria economizar tempo ao aproveitar a ida ao mercado
- 34% apontaram a possibilidade de encontrar preços um pouco melhores do que os praticados nas farmácias tradicionais
- Apenas 6% afirmaram que nunca comprariam medicamentos nesse formato
A intenção de compra varia conforme a categoria. Medicamentos isentos de prescrição, como analgésicos e antigripais, foram citados por 61% dos participantes. Vitaminas e suplementos aparecem em seguida, com 51%, enquanto produtos de dermocosmética somam 41%. Já os medicamentos sujeitos a prescrição, como os à base de GLP-1, registraram índices de 33% para tratamentos de uso ocasional e 30% para os de uso contínuo.