Fim da escala 6x1: estudo mede impacto dos custos para os supermercados

Com a emenda que acaba com a escala 6x1 promulgada pelo Congresso na sexta-feira (16), o varejo alimentar entra numa contagem regressiva. Pelo texto, as empresas terão 60 dias para adotar a escala 5x2 e limitar a jornada a 42 horas semanais. Um ano e dois meses depois, a jornada chega às 40 horas. Mas pergunta que circula no setor é: quanto isso vai custar? Um estudo divulgado em julho pela Centu, empresa de software de dimensionamento de equipes, busca responder essa questão.

 

A empresa simulou a transição completa em oito lojas de uma mesma rede de varejo alimentar mantendo o mesmo nível de atendimento da demanda em diferentes fases da implementação: 

 

  • 44 horas, 6x1
  • 44 horas, 5x2
  • 42 horas, 5x2
  • 40 horas, 5x2

 

Ao todo, foram 32 simulações para a função de operador de caixa, com as regras da CLT e uma meta de fila de até 5% da demanda.

O aumento no custo variou de +1,7% a +11,6% entre as lojas na fase final da transição (40h semanais e 5x2). Os percentuais mostram como a transição pode afetar de forma diferente operações da mesma rede.

O motivo para essa variação exarcebada entre as lojas se dá ao fomato da curva de demanda. Em outras palavras, como o movimento se distribui pelas horas do dia e pelos dias da semana decide quanto espaço a escala tem pra se reorganizar dentro da 5x2 sem sobra nem falta.

 

A loja que apresentou a menor alta (+1,7%), tem uma curva bem distribuída ao longo da semana, sem picos concentrados. Assim, a reorganização dos turnos tinha menos obstáculos. A transição então praticamente se pagou sozinha, terminando melhor do que começou em termos de distribuição, ociosidade e atendimento. 

 

Em sentido contrário, uma das outras lojas analisadas, que apresentou um aumento de 10,1% nos custos, tem uma demanda concentrada em poucas janelas do dia, com picos curtos e bem definidos. Ao chegar na última fase da transição, além da alta elevada nos custos, houve aumento na fila. 

 

A folga que ninguém contava

 

O estudo mostra também que quem hoje opera com 6x1 raramente recebe as 44 horas contratadas. Em lojas que abrem todos os dias, o limite de seis dias seguidos de trabalho e a exigência de folga dominical periódica nem sempre se encaixam, e a escala acaba concedendo folgas extras para cumprir as duas regras. Ou seja, na média do mês, quem opera em 6x1 hoje paga por 44 horas e recebe cerca de 42.

Já na escala 5x2 com 44 horas, as duas folgas absorvem o rodízio de domingos sem esse excedente e entregam a quantidade de horas semanais de verdade. Em seis das oito lojas, essa fase saiu mais barata que a escala atual, com atendimento igual ou melhor.

A maior unidade do estudo ilustra o ponto acima. Com 55 funcionários e custo mensal de R$ 145,5 mil, ela passou a operar com 53 pessoas e R$ 138,1 mil nessa fase, sem piora na fila. A economia, porém, não resistiu ao fim do percurso. No cenário de 40 horas, a mesma loja ficou 5,6% mais cara que hoje e passou a precisar de 59 funcionários.

 

No final, a recomendação da Centu é usar a janela de transição para antecipar as fases lucrativas e programar com calma as contratações nas lojas em que a conta pesa.