Durante décadas, a regra dos consumidores nos supermercado foi simples. Quanto maior a embalagem, menor o preço por unidade, e portanto melhor o negócio. Essa conta, porém, foi montada com famílias numerosas. Para quem compra para si ou para duas pessoas, o pacote grande pode ser uma economia só no papel.
Isso porque quando parte dos itens vai para o lixo, o custo real de cada porção aproveitada sobe, e o cliente ainda paga mais de uma vez no caixa. Nesse cenário, valor passa a significar adequação, ou seja, levar para casa a quantidade adequada, sem sobras ou deperdício.
Algumas categorias que ganham relevância nesse sentido são os pratos prontos em porção individual, congelados para uma ou duas pessoas, carnes em embalagens de meio quilo, hortifrúti em tamanhos menores e frios pré-fatiados em pequenas quantidades. A questão não é criar uma seção separada, mas facilitar a descoberta dessas opções nos corredores por onde o consumidor já circula. Ao dar espaço a essas porções, a loja mostra que enxerga o lar pequeno como parte central do negócio, e não como exceção.
Mudanças que influenciam esse comportamento
A média de moradores por domicílio no Brasil caiu de 3,31 em 2010 para 2,79 em 2022, segundo o Censo. Ao mesmo tempo, a fatia de lares com uma só pessoa saltou de 12,2% para 18,9% no mesmo período. São cerca de 13,6 milhões de unidades domésticas unipessoais, segundo o IBGE.
Há ainda o efeito dos medicamentos da classe GLP-1. Uma pesquisa da Scanntech indica que 6% dos brasileiros já usam esses remédios e estima que o avanço deles pode reduzir em 0,49% ao ano o volume de alimentos vendidos nos supermercados. Na área de alimentação fora do lar, a Abrasel aponta que 62% dos empresários notaram mudança na procura por porções menores.