Uma sucessão mal conduzida pode custar caro. Segundo estimativa citada pela McKinsey, transições de CEOs mal administradas podem eliminar até US$ 1 trilhão em valor de mercado por ano no mundo. O alerta ganha ainda mais relevância entre empresas familiares, nas quais a mudança de liderança envolve não apenas o negócio, mas também relações entre gerações, patrimônio e legado.
Em uma pesquisa com mais de 200 empresas familiares de capital aberto, a McKinsey identificou que o retorno aos acionistas caiu, em média, 5,7 p.p. nos cinco anos após a troca de CEO, em comparação com os cinco anos anteriores. Receita e margem EBITDA também recuaram. Apenas pouco mais de um terço das transições analisadas criou valor.
O problema, porém, não está necessariamente em quem assume. A pesquisa mostra que diferentes modelos de sucessão apresentam riscos. Entre as recomendações da consultoria estão:
- Preparar os sucessores com antecedência
- Estabelecer papéis claros
- Organizar a empresa antes da mudança
- Estruturar também a saída do atual CEO
Esse processo de preparação está no centro da Missão Gerações, programa da SA+ em parceria com o Insper e a Nova School of Business & Economics, criado exclusivamente para o varejo alimentar. A iniciativa reúne líderes atuais e sucessores executivos em uma jornada que combina formação, experiências práticas, networking e uma etapa internacional em Portugal.
Mais do que decidir quem receberá o comando, a sucessão exige preparar a empresa para funcionar bem depois da mudança. Na análise da McKinsey, quando transições para membros da própria família são bem executadas, elas podem gerar ganhos expressivos de valor.
Para empresas que já vivem esse processo ou precisam começar a estruturá-lo, a questão é justamente antecipar a preparação.