Sucessão exige mais do que escolher quem ficará no comando

Trocar o comando de uma empresa familiar está longe de ser apenas uma decisão sobre quem ocupará a cadeira de presidente. Antes de definir o sucessor, é necessário entender algumas questões.

 

Para Rodrigo Pecchiae, especialista em governança corporativa de família, três perguntas ajudam a iniciar a discussão: 

 

  • Qual é o propósito da empresa
  • Quais são seus planos para o futuro
  • Onde a família quer chegar com a companhia?

 

A partir dessas respostas, a sucessão pode deixar de ser uma simples troca de posições e passar a fazer parte de um planejamento mais amplo. 

 

Outro desafio está no encontro entre gerações. De um lado, estão a experiência e os aprendizados acumulados por quem construiu o negócio. Do outro, a disposição dos sucessores para inovar e imprimir novas perspectivas à companhia.

 

“É preciso combinar a ousadia e a inovação dos mais novos com a experiência e aprendizados do sucedido. Não há necessidade de abrir mão de nenhum dos lados. Mas sim mesclar ambos e dar tempo para a maturidade”, afirma Pecchiae.

 

Quem mais precisa se preparar?

 

A mudança de comando também afeta a estrutura executiva. José Barral, conselheiro de varejistas como Nordestão e Mercadinhos São Luiz, chama atenção para profissionais que permanecem décadas na empresa e que também precisam entender seu papel diante da transição.

 

“Não é apenas sobre o presidente. É preciso olhar também para diretores que estão há 20 ou 30 anos no cargo e como eles vão se preparar numa sucessão”, avalia.

 

Isso porque a mudança pode alterar responsabilidades, expectativas e até o grau de ambição das pessoas dentro da organização. O sucessor precisará lidar com as pressões da nova posição sem deixar de reconhecer a equipe que participa da gestão. Já familiares que não assumirem o comando podem encontrar espaço em outras estruturas, como conselhos.

 

A preparação, portanto, precisa ser ampla e considerar não apenas quem assumirá a liderança, mas também as pessoas e relações que sustentam a empresa.

 

O sucedido também precisa estar preparado

 

Um dos tabus relacionados à sucessão é tratar o processo como sinônimo de saída definitiva. Para Pecchiae, a transição pode ser construída de outra maneira, preservando o conhecimento de quem está deixando a gestão cotidiana e transformando sua experiência em um ativo para a próxima geração.

 

A ideia é que o sucedido passe progressivamente de protagonista da operação a uma posição mais estratégica, como a de conselheiro. Dessa forma, o conhecimento acumulado continua disponível enquanto o sucessor ganha segurança e autonomia para assumir o comando.

 

Essa combinação entre experiência e renovação, preparação técnica e relacionamento entre gerações está no centro da discussão sobre sucessão no varejo alimentar.

 

É também a proposta da Missão Gerações, programa da SA+ em parceria com o Insper e a Nova School of Business & Economics, criado especificamente para líderes atuais e sucessores executivos do setor. A jornada combina formação, experiências práticas, networking e uma etapa internacional em Portugal para discutir temas como governança, planejamento sucessório, liderança e continuidade dos negócios.